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  1. [EN]

    OF THE SIMILAR MOMENTS

    "In the great moments all are heroes, there is always the idea, although vague, that one is representing and that the role should be performed to perfection, otherwise the public will not applaud, then the epics are short-lasting, all the forces can be concentrated, a supreme appeal is made to the supreme energy, then rest is allowed, the mediocrity that appeases and rests, nothing more vulgar than a hero outside his theater.

    It is not therefore necessary that you prepare yourself for the crises; those are hours in which - if you are not totally erased - you will find yourself above yourself; a thousand elements will make you a pedestal; You will rise so high that it will only be difficult for you, when you have been exalted, to do not marvel at what you have done; you see yourself unable to repeat the blow; and to the fame of the hero certainly contributes this astonishment that takes it for not always being the same, at a certain juncture having passed on him the appeal of the gods.

    It is for every day that you need to educate and tune the soul; it is to feel the same in every minute that you must master the impulses and be obstinately calm when facing difficulties and dangers, joys and triumphs. The constant exercise of the gymnast will serve as a stimulus and a guide; that you can take a step with the same security, lightness and calmness with which you could jump; learn to have in the resistances the effort of attacks.

    What life presents with the worst is not the violent catastrophe, but the monotony of similar moments; in the other you will see that the greatest number neither won nor died: it floats without the north and without hope. Do not let yourself be overthrown by the insignificance of small movements and you will be a man to the great; if you never lack the courage to face the days when nothing is happening, you can without fear wait for the times when the world turns. "

    [PT]

    DOS MOMENTOS SEMELHANTES

    "Nos grandes momentos todos são heróis; tem-se sempre a ideia, embora vaga, de que se está representando e que o papel se deverá desempenhar com perfeição; de outro modo não aplaude o público. Depois as epopeias duram pouco; todas as forças se podem concentrar, faz-se um apelo supremo à suprema energia; em seguida permite-se o descanso, a mediocridade que apazigua e repousa; nada mais vulgar do que um herói fora do seu teatro.

    Não é, pois, necessário que te prepares para as crises; são horas em que sempre – se não és totalmente apagado – te encontrarás acima de ti próprio; mil elementos te farão pedestal; tão alto subirás que só te será difícil, passada a exaltação, não te admirares do que fizeste; vês-te incapaz de repetir o golpe; e para a fama do herói certamente contribui este espanto que o toma de se não ter sempre igual, de em determinada conjuntura ter passado sobre ele o apelo dos deuses.

    É para todos os dias que precisas de educar e afinar a alma; é para te sentires o mesmo em todos os minutos que deves dominar os impulsos e ser obstinadamente calmo ante as dificuldades e os perigos, as alegrias e os triunfos. O constante exercício do ginasta te sirva de estímulo e de guia; que saibas dar um passo com a mesma segurança, leveza e calma com que poderias dar um salto; aprende a ter nas resistências o esforço dos ataques.

    O que a vida apresenta de pior não é a violenta catástrofe, mas a monotonia dos momentos semelhantes; numa ou se morre ou se vence, na outra verás que o maior número nem venceu nem morreu: flutua sem norte e sem esperança. Não te deixes derrubar pela insignificância dos pequenos movimentos e serás homem para os grandes; se jamais te faltar a coragem para afrontar os dias em que nada se passa, poderás sem receio esperar os tempos em que o mundo se vira."

    In Agostinho da Silva, "Textos e Ensaios Filosóficos"

    2016